Novo acordo ortográfico da língua brasileira.

Desde o início de 2009, estão em vigor as novas regras de escrita da língua portuguesa

  

Com o objetivo de promover uma maior integração entre os países que falam a língua portuguesa, como Brasil, Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé Príncipe, Angola, Moçambique, Macau e Timor Leste, chamados de países lusófonos, a partir deste ano, novas regras ortográficas passam a ser utilizadas.

A queda do trema, simplificação nas regras de acentuação e a inclusão do Y, do W e do K no alfabeto são algumas das mudanças.

As regras ortográficas que constam no acordo serão de uso obrigatório inicialmente em documentos dos governos. Nas escolas, o prazo será maior, devido ao cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação. O prazo máximo para adequação total e a padronização do idioma vai até 31 de dezembro de 2012

 

Brasil

O Brasil foi o primeiro país entre os que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) a adotar oficialmente a nova grafia. Desde o inicio de 2009, o Ministério da Educação – MEC, já iniciou o processo de adoção da nova ortografia.

As mudanças mais significativas atingem aproximadamente 0,5% das palavras. Nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual é de 1,6%.

 

Dupla grafia

A unificação na ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos (pronúncia) em lugar de etimológicos (origem), para algumas palavras será permitida a dupla grafia

 

Entrevista com Alice Assunção – Jornalista da Agência Reuters:

Vocês já estão utilizando as novas regras nas matérias?

Sim, já começamos a usar. No início o editor chefe se opôs um pouco, até porque o novo acordo não facilita em nada. Ele dizia que tínhamos ainda um ano para adotarmos o acordo, mas aí os próprios jornalistas foram implementando as novas regras não houve mais oposição.

As regras facilitaram ou dificultaram o trabalho?

Dificultaram e muito, sempre escorrego e acabo escrevendo Coréia e Européia com acento no “e”. Aqui você escuta vez ou outra alguém perguntando: “infraestrutura é tudo junto agora, né?”.

Como foi a aceitação do novo acordo ortográfico na redação?

Essa mudança foi pauta para discussão por algumas semanas e desconfio que não foi muito bem aceita. Um dia desses ouvi uma das editoras falando: “como que para, do verbo parar, não vai ter mais acento? absurdo”. A gente já tem aqui um manual com o tal acordo reformulado, mas a linguagem é péssima e arcaica. Os textos de explicação parecem orações em Latim, indecifráveis.

Normalmente os computadores possuem corretor de texto, mas a maioria ainda não o tem atualizado. Vocês possuem algum no sistema que usam? Pretendem ter?

Nós temos dois corretores, o convencional do word e um que usamos antes de postar a matéria na internet. Nenhum desses tem uma versão atualizada ainda e nunca ouvi nada sobre uma atualização.

redação da Agência de Notícias Reuters onde novas regras causam dificuldades

 

Entrevista Profa. Tânia Sandroni

Qual sua ligação com o novo acordo ortográfico?

Sou professora de língua portuguesa e jornalista, fui obrigada a absorver intelectualmente as novas regras, mas confesso que na hora de escrever, ainda tenho que parar para pensar e as vezes, consultar a maneira correta da grafia.

Quais os benefícios deste acordo?

Não vejo benefícios e sim uma justificativa mais política do que linguistica, pois assim a língua portuguesa passa a ser considerada oficial para a Organização das Nações Unidas – ONU e outros órgãos governamentais.

Quem sofrerá mais com essas mudanças?

Acredito que os mais idosos terão maior dificuldade em assimilar, pois estão acostumados a escrever de determinada maneira há muito mais tempo. Os portugueses deverão ser mais afetados, pois 1,5% das palavras serão alteradas, enquanto no Brasil, apenas 0,5%

Qual o papel da imprensa nesta divulgação?

O papel da imprensa, sobre qualquer assunto é e será sempre divulgar e informar a população. É preciso muito cuidado na maneira de fazer isso, pois pode parecer que o assunto é mais complexo do que na verdade é.

 

Contexto Histórico:

Existem algumas discussões sobre a real causa do novo acordo: evolução, interesses diplomáticos e políticos…Mas o que podemos confirmar é que não é a primeira, e provavelmente não seja a última, reforma ortográfica que nossa língua enfrenta.

A primeira reforma ortográfica que se tem notícia ocorreu em 1911. na época o filólogo Gonçalves Viana propôs um distanciamento do latim. O Brasil adotou a ideia, mas logo voltou a usar “ph” e “ch”. No início da década de 1930, mais um  projeto de simplificação foi elaborado, porém o governo de Getúlio Vargas anulou o padrão. Quatro anos mais tarde os professores conseguiram que algumas novidades fossem adotadas.

Em 1943, houve mais uma convenção, mas só o Brasil decidiu utilizar as mudanças, como a substituição do “z” pelo “s” na grafia.
Em 1986 existiu uma reunião dos países lusófonas para discutirem algumas das mudanças que foram incorporadas agora em 2009.

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